Vários estudos mostram que a intensa procura pelo ser humano de recursos para reduzir e facilitar o trabalho diário levou a fazer apenas uma terça parte da actividade física que se praticava na geração dos nossos pais. No desenvolvimento destas investigações determinou-se a quantidade de energia utilizada para realizar as tarefas do lar (como por exemplo a limpeza da casa, da roupa, ou a forma de ser deslocar para o lugar de trabalho) há 50 anos, e comparou-se com o consumo que implica realizar essas mesmas tarefas hoje em dia. Estes estudos revelaram que os avanços tecnológicos nas tarefas do lar e da vida quotidiana potenciaram um estilo de vida sedentário, que foi para a nossa geração a primeira causa do aumento na incidência da obesidade nos países ocidentais.
Para dar alguns exemplos, estima-se que a lavagem da roupa semanal antes de existirem as máquinas de lavar e as máquinas de secar automáticas demorava um dia inteiro, e era necessário um consumo energético aproximado de 1500 kcal. Hoje em dia gastam-se aproximadamente menos 750 kcal por semana na lavagem de roupa, o que equivale a acrescentar à dieta um total de cinco bolinhos de creme por semana. Por outro lado, algumas actividades frequentes nos anos cinquenta como jogar ao pião, ir às compras, ou acender um fogo, transformaram-se nos alvores do século XXI em ver a televisão, ir às compras num supermercado e acender a caldeira do gás do aquecimento, o que implica uma poupança respectivamente de 600 kcal, 1500 kcal e 1250 kcal.
As sociedades desenvolvidas encontram-se perante este paradigma: um aumento rápido e elevado dos índices de obesidade na população face a uma diminuição significativa no consumo calórico total. Estes novos cálculos confirmam que a energia poupada no trabalho das tarefas quotidianas adquire maior relevância, já que ela acaba por se depositar em forma de gordura corporal.
Partindo destas reflexões, seria acertado pensar que o mais adequado é incentivar o exercício físico na sociedade. Desde há alguns anos, especialistas em Saúde Pública interessaram-se de uma maneira especial pelo desenvolvimento e promoção de políticas de saúde relacionadas com o exercício físico e com o desporto, tendo aparecido nos anos setenta as primeiras recomendações de exercício físico pela American College of Sports Medicine (ACSM). Este interesse especial aumentou com os últimos estudos, que forneceram provas claras dos efeitos benéficos que o exercício físico tem sobre o estado de saúde da pessoa.
Estas evidências científicas acerca da actividade física indicam que o benefício no estado de saúde em geral se obtém através da promoção de uma actividade física regular e moderada, em maior medida que com uma actividade física intensa e esporádica. Portanto, é muito mais saudável para a saúde um passeio de pelo menos uma hora e meia por dia, que um desgaste físico intenso ocasional. Assim, estudos recentes apresentados na Grã-Bretanha para fazerem parte de programas de política para a saúde, nos quais se promove e potencia o exercício físico na população, indicam que duas a três sessões de curta duração de exercícios físico são tão eficazes como uma sessão contínua de hora e meia.
As políticas de saúde para a promoção e desenvolvimento do exercício físico na população adquirem importância na medida em que se estabelece de maneira clara os efeitos benéficos do exercício físico regular e moderado, de tal modo que se pode afirmar que:
- Está associado a uma diminuição progressiva dos índices de mortalidade, tanto nos jovens como nos adultos.
- Diminui o risco de mortalidade por doenças cardiovasculares, particularmente nas cardiopatias coronárias.
- Previne e atrasa o desenvolvimento da hipertensão arterial.
- Está relacionado com uma diminuição do risco de cancro de cólon, embora até ao momento não se tenha verificado a mesma relação relativamente aos cancros do recto, endométrico, ovário e testículos.
- Diminui igualmente o risco de sofrer de diabetes mellitus não insulinodependente, e melhora o perfil de glicemia nesta doença.
- Reduz alguns factores de risco associados a níveis adversos de factores de coagulação e perfis lipídicos sanguíneos anormais.
- Favorece o bom desenvolvimento do sistema músculo-esquelético na infância e adolescência, bem como a manutenção na vida adulta, ajudando a prevenir a osteoporose.
- Nos idosos preserva a capacidade para manter um estado de vida mais independente, diminuindo o risco das quedas próprias desta idade.
- Afecta favoravelmente a distribuição da gordura corporal, de maneira que exercícios regulares e moderados na presença de oxigénio (aeróbicos) estimulam a diminuição de gordura corporal.
- Reduz os sintomas de depressão, ansiedade e stress.
Recomendações sobre o exercício físico:
- Fazer 30 minutos de exercício físico moderado, tal como passear ao ar livre, pelo menos cinco dias por semana.
- Distribuir o tempo de actividade física em dias sessões de cerca de 15 minutos cada.
- Desenvolver exercícios alternativos de actividade moderada benéficos para a saúde como ir a pé para o trabalho, subir escadas, cuidar do jardim e fazer trabalhos relacionados com as tarefas do lar, entre outras.
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